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domingo, 9 de agosto de 2009

Dia da cidadania - 5ª parte

Alguns metros adiante, desabafei:

_Tio, eu não deveria ter ido com o senhor pra Junta. Fui desonesto com cada um que estava ali na fila e, principalmente, comigo.
_Meu filho, você ainda vai aprender a viver. Isso é só o começo.
_Mas...
_Você não acha que se qualquer um daqueles rapazes, incluindo os que te desaprovaram, tivessem alguma influência dentro das Forças Armadas, não teriam feito o mesmo que você?
_Não sei, tio, mas, de qualquer forma, obrigado pela ajuda.
_Ah, Deus, essa juventude... de nada, filho.

Despedi-me do tio na prefeitura e fui a pé pra casa. O sol estava forte pacas e eu já pensava em tirar a camisa. Porém, lembrei que não seria nada agradável para os outros ver um monte de banhas balançando pela Via Light. Snif, ó, céus, me sinto tão vazio...

domingo, 17 de maio de 2009

Um dia qualquer na SuperVia II


- ai, miu Deus o treim ja ta partino!

O homem corre o mais rápido que pode. O trem apitava freneticamente, preparando-se para fechar as portas. Ele chega a tempo. Da distância em que estava, deve ter batido o recorde do Usain Bolt.
 
- grassas a Deus! se num tivesse ovido o apito ha tempo...
 
O trem abre as portas. Do alto-falante, sai uma voz pálida:
 
- Senhor passageiro, por favor, faça o favor de desobstruir as portas. O senhor só está atrasando os outros passageiros e toda a composição.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um dia qualquer na SuperVia - I

Seu “Tião” pega de segunda a sexta a linha Japeri rumo a Madureira. Deve acordar às 5 da manhã para chegar a tempo no trabalho, que começa às 8 horas. Exemplar trabalhador e pai de 3 filhos, o homem deve, junto da esposa, doméstica, buscar o sustento para a família. Porém, devido a constantes faltas no serviço por acordar depois da hora sua saúde, seu Tião está com medo de perder o emprego. Mesmo com a greve dos trens, saindo de Japeri, Baixada Fluminense, o humilde senhor espera chegar a tempo para o serviço.
O trem começa a encher, e já na estação Nova Iguaçu não há mais como entrar alguém; mas, mesmo assim, pode-se ver que os trens, que mais parecem ter vindo de um filme da revolução industrial inglesa, conseguem quebrar a lei da física: “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço” (no caso dos trens, ao invés de dois, são 500 mil passageiros). O trabalhador fica espremido, mas esperançoso de não desapontar o patrão e ser demitido.
Uma estação antes de Madureira, ele se prepara para descer. Já que o homem que estava segurando as portas saiu, resolveu continuar o serviço do homem porque uma senhora, que estava quase desmaiando, pediu pra ele. Afinal, não dá pra ficar num trem lotado, sem ar condicionado e com as portas fechadas; mas como é preciso, as portas ficam abertas, embora seja um risco para todos.
Quando chegou em Madureira, seu Tião já agradecia à Nossa Senhora por chegar a tempo para o trabalho; porém, um segurança [sic] começou a empurrá-lo para dentro do vagão. O rapaz estava seguindo as normas. Mas essa era a estação de Seu Tião!
O senhor fazia de tudo para sair, mas quanto mais tentava, mais era empurrado. “Eu quero é sair, eu quero é sair, porra!!”, gritava o trabalhador. Mas o funcionário, entendendo como uma ofensa, dá pontapés e socos em Seu Tião e nos outros passageiros. Juntos com outros apoiadores de cliente [sic]∞ e um policial (oO"), o funcionário começou a dar chicotadas nos outros passageiros próximos às portas e janelas. Após levar muitas chicotadas e com o trem em movimento, o guerreiro consegue sair do trem. 
Por sorte, conseguiu chegar a tempo para o trabalho.
Após voltar para casa de trem u.u, Seu Tião senta no sofá e agradece a Deus por chegar a tempo para a novela das oito.