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domingo, 17 de maio de 2009

Um dia qualquer na SuperVia II


- ai, miu Deus o treim ja ta partino!

O homem corre o mais rápido que pode. O trem apitava freneticamente, preparando-se para fechar as portas. Ele chega a tempo. Da distância em que estava, deve ter batido o recorde do Usain Bolt.
 
- grassas a Deus! se num tivesse ovido o apito ha tempo...
 
O trem abre as portas. Do alto-falante, sai uma voz pálida:
 
- Senhor passageiro, por favor, faça o favor de desobstruir as portas. O senhor só está atrasando os outros passageiros e toda a composição.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um dia qualquer na SuperVia - I

Seu “Tião” pega de segunda a sexta a linha Japeri rumo a Madureira. Deve acordar às 5 da manhã para chegar a tempo no trabalho, que começa às 8 horas. Exemplar trabalhador e pai de 3 filhos, o homem deve, junto da esposa, doméstica, buscar o sustento para a família. Porém, devido a constantes faltas no serviço por acordar depois da hora sua saúde, seu Tião está com medo de perder o emprego. Mesmo com a greve dos trens, saindo de Japeri, Baixada Fluminense, o humilde senhor espera chegar a tempo para o serviço.
O trem começa a encher, e já na estação Nova Iguaçu não há mais como entrar alguém; mas, mesmo assim, pode-se ver que os trens, que mais parecem ter vindo de um filme da revolução industrial inglesa, conseguem quebrar a lei da física: “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço” (no caso dos trens, ao invés de dois, são 500 mil passageiros). O trabalhador fica espremido, mas esperançoso de não desapontar o patrão e ser demitido.
Uma estação antes de Madureira, ele se prepara para descer. Já que o homem que estava segurando as portas saiu, resolveu continuar o serviço do homem porque uma senhora, que estava quase desmaiando, pediu pra ele. Afinal, não dá pra ficar num trem lotado, sem ar condicionado e com as portas fechadas; mas como é preciso, as portas ficam abertas, embora seja um risco para todos.
Quando chegou em Madureira, seu Tião já agradecia à Nossa Senhora por chegar a tempo para o trabalho; porém, um segurança [sic] começou a empurrá-lo para dentro do vagão. O rapaz estava seguindo as normas. Mas essa era a estação de Seu Tião!
O senhor fazia de tudo para sair, mas quanto mais tentava, mais era empurrado. “Eu quero é sair, eu quero é sair, porra!!”, gritava o trabalhador. Mas o funcionário, entendendo como uma ofensa, dá pontapés e socos em Seu Tião e nos outros passageiros. Juntos com outros apoiadores de cliente [sic]∞ e um policial (oO"), o funcionário começou a dar chicotadas nos outros passageiros próximos às portas e janelas. Após levar muitas chicotadas e com o trem em movimento, o guerreiro consegue sair do trem. 
Por sorte, conseguiu chegar a tempo para o trabalho.
Após voltar para casa de trem u.u, Seu Tião senta no sofá e agradece a Deus por chegar a tempo para a novela das oito.