Lá estou eu com minha cama. Mais um dia se passou e as coisas continuam as mesmas. A minha dura e pesada condição de viver que sacrifica o meu espírito. O meu mole e leve colchão que sacrifica o meu corpo. Todos os dias. E as lágrimas caem.
Foi numa sexta-feira. Dia 13, diga-se de passagem. Após anos me calando, resolvi declarar o que eu sentia por Rita, minha amiga de infância. Ela me chamara para ajudá-la com um dever de química da faculdade. Fui correndo para sua casa. Terminando o dever, num momento de súbita loucura, mostrei meu amor a ela. Ela recebeu a notícia como alguém recebe as contas de dezembro. Ela disse que éramos apenas amigos; só isso. Aquelas palavras me empurraram direto para o bar mais próximo. Resolvi me afogar nas bebidas a noite toda. Quando peguei meu carro e fui para casa, perdi a direção e bati num poste. A batida foi tão violenta que o arranquei da calçada e os estilhaços rasgaram meus olhos.