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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Um scrap privado

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T******, espero que você pense em tudo que lhe disse nesses dias. Nenhum relacionamento sobrevive à dúvida, à desconfiança.

Também não sobrevive uma relação somente pelo sexo, pois um dia os corpos já não conseguem mais aquele desempenho da juventude. Além do mais, sempre se estará insatisfeit@ por faltar "algo mais" na cama e na vida.

Por último, a única coisa que pode resistir ao tempo e às mudanças bruscas é a amizade. Amizade que eu sinto demais por você. Amizade que eu não percebi o quão grande era antes.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Uma peça sociológica

Com uma máscara recuperada e mais reluzente do que nunca, o jovem estudante apaixonado parte para mais uma reunião. Com as falas decoradas na ponta da língua e a certeza de que tudo dará certo na peça, ele age com desenvoltura e ousadia frente à plateia; mas há alguém em especial numa das cadeiras, alguém que o ator quer impressionar, chamar a atenção com seu talento.

- Dani, e você, o que você acha de fazermos um artigo falando sobre nosso projeto de extensão?
- Acho uma boa, Cláudia, mas qual será o objetivo geral da pesquisa?
- Não sei, mas teria a ver com nossa ação frente aos que nos prestigiam. Alguém tem alguma ideia?

As personagens deram a ‘deixa’. É a hora exata para o estudante entrar em cena. Com a máscara re-arrumada e as falas guardadas, relampeja em sua mente a lembrança de antes do início da peça, quando os atores estenderam suas mãos em roda para o centro, e as levantaram gritando “MERDA!”. Como diz o funkeiro, “se tudo der certo, hoje vai dar merda!”.

sábado, 10 de julho de 2010

A morena dos olhos verdes [revisita]

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Hoje, percebe-se muito bem o crescimento do setor imobiliário no país, apesar da crise que assolou o mundo globalizado. Quem consegue perceber isso bem são aqueles que faturam uma grana preta vendendo seus terrenos, ou moram ao lado de construções – que é o meu caso. Pra vocês terem ideia, na minha rua, há muito tempo estão construindo edifícios, uns atrás dos outros. As empreiteiras levam a construção civil tão a sério que me pergunto se um dia, quando não houver mais espaço nem para se construir uma casa de cachorro, se elas destruirão tudo para não perderem a razão de sua existência. Só aí que eu me lembro para que servem também as reformas urbanas [$$ --> $$$$$]. Coisas do mercado...

domingo, 16 de agosto de 2009

Uma carta.

Meu amor,

Não tenho muito que falar. Sei que você está cansada de mim. Eu também estou cansado de mim. Aliás, acho que o mundo inteiro está cansado de mim.

Sei que nunca te dei algum tempo direito pra sair, curtir um cinema, dar uma volta no parque, como nos velhos tempos. Te expliquei da minha nova rotina – poxa, fazer duas faculdades é complicado, gatinha, você sabe – mas você não entendeu.
Pois é, não te dei a atenção que você merece. E perdi o que é mais importante: seu amor.

domingo, 31 de maio de 2009

A morena dos olhos verdes e mechas douradas.

Hoje, percebe-se muito bem o crescimento do setor imobiliário no país, apesar da crise que assola o mundo globalizado. Quem consegue perceber isso bem são aqueles que faturaram uma grana preta vendendo seus terrenos, ou moram ao lado de construções –que é meu caso.

domingo, 10 de maio de 2009

Rita ou Os Olhos

Lá estou eu com minha cama. Mais um dia se passou e as coisas continuam as mesmas. A minha dura e pesada condição de viver que sacrifica o meu espírito. O meu mole e leve colchão que sacrifica o meu corpo. Todos os dias. E as lágrimas caem.
Foi numa sexta-feira. Dia 13, diga-se de passagem. Após anos me calando, resolvi declarar o que eu sentia por Rita, minha amiga de infância. Ela me chamara para ajudá-la com um dever de química da faculdade. Fui correndo para sua casa. Terminando o dever, num momento de súbita loucura, mostrei meu amor a ela. Ela recebeu a notícia como alguém recebe as contas de dezembro. Ela disse que éramos apenas amigos; só isso. Aquelas palavras me empurraram direto para o bar mais próximo. Resolvi me afogar nas bebidas a noite toda. Quando peguei meu carro e fui para casa, perdi a direção e bati num poste. A batida foi tão violenta que o arranquei da calçada e os estilhaços rasgaram meus olhos.