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terça-feira, 3 de novembro de 2009

[OFF]Coming Soon...

Tô chegando de volta, pessoal. É só esperar mais um pouco...


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domingo, 6 de setembro de 2009

Inspiração



Um solitário homem vive num cômodo com paredes de concreto, quebrando cada uma com uma marreta deformada. Estava em busca de uma passagem secreta pra algum lugar bem distante daquele mundo monocromático; porém, quanto mais ele quebra, mais parece estar preso.

_Malditas paredes sem fim! Será que não há nada do outro lado, a não ser concreto?

Exausto, o homem se deita no chão e começa a olhar pro teto. Algo chama sua atenção.

_Alô, quem deseja?

Era Daisy, sua irmã. Queria saber se a filha dela poderia dormir na casa dele, já que ia prum encontro. Estava ocupado, tentando escrever um novo livro, mas permitiu.

_Tudo bem traz a criança, to com saudade dela! É preciso viver para haver inspiração, não?
_Mas por quê alguém colocaria uma cordinha presa no teto?

Aquilo era estranho mesmo. Pelo fato de parecer avulso, não devia haver nenhuma serventia para aquilo. A não ser que...

À noite, como combinado, Daisy trouxe a filha. Listou tudo o que o irmão deveria fazer, inclusive não deixá-la entrar no computador, pois estava de castigo. E assim que a mãe partiu para o encontro, o tio, com um enorme sorriso, perguntou:

_O que quer fazer, gatinha?

Pulou o mais alto que pode. Nem perto chegou da corda. Juntou um pouco do entulho e ficou de pé em cima dele. No segundo salto, tropeçou e se ralou no chão. Ficou um bom tempo olhando pro alto. Sua expressão passa a ser de alívio. Olha para a marreta, que descansava.

Do quarto, vem um grito:

_Tio, ajuda eu aqui um instante?

O homem estava muito ocupado no notebook. Tentara começar a estória de um casal, que é separado pela repressão do governo militar. Falar do amor sem inspiração é “mais do mesmo”. Então pensou na estória de um jovem, filho das elites do país, que roda o mundo e vê a pobreza de perto; mas não estava a fim de fazer um mini-che. “Puxa, será que já escreveram de tudo nos livros?”, pensou.
Ao se postar na porta do quarto, preocupado em perder os arquivos do computador, pergunta com um sorriso amarelo:

_Algum problema, jujuba?

_ Não, tio, é que eu queria saber o que a minha amiga mandou pra eu.
Era a Internet, pulsando de informações, atualizadas a cada instante. Colocando a mão nos seus ombros e olhando dentro dos seus olhos, fez uma pergunta direta na lata:

_Minha amada, como é que você pode ter um Orkut e não saber ler?

Com o objeto em mãos e um brilho enorme nos olhos, o homem sobe de novo no entulho. Olha fixamente em direção para a corda. Com um grande impulso, ele joga a marreta para o alto. Grande estrondo. Pedaços do teto caem, juntos com a corda; contudo, ela continua pendurada.

Com o olhar colado no chão e a voz embargada, a sobrinha disse:

_Meus amigos da escola riem de mim porque não sei ler, tio. Todos sabem ler, menos eu...
_Amor, quando eu era pequeno, também tinha problemas com leitura. Me perguntava como as pessoas conseguiam decifrar essas letrinhas e, delas, se emocionar. Queria passar por isso, mas parecia impossível. Até que seu avô leu um livro pra mim que mudou minha vida.
_Qual? – já com os olhos encharcados.
_O Menino Maluquinho!

E falei de como ele era impossível; suas aventuras, como se dava bem com os amigos e as namoradas, que o tempo era um amigão dele...

_Tio, o senhor tem esse livro aí? – perguntou, dessa vez, com os olhos cintilantes.

Ele foi dançando até a estante e puxou o livro. No meio de tantos livros sérios de política, filosofia, direito, sociologia e outras ciências, o livro do Ziraldo mais parecia estar no lugar errado.

_Gatinha, de todos os livros que eu li, este é o melhor! – disse com certa nostalgia.
_Nossa, deve ser muito bom, então! Lê pra mim, tio, lê, lê, lê, lê, lê... (x97)
_Calma! Assim você vai cair da cadeira! – disse lembrando da irmã.

Puxou a corda com força. Estava presa. Lá de cima vinham raios de luz. Pensou em subir, mas relutou por causa de sua condição física (leia-se obeso). Como poderia ele desistir de sair daquele cômodo, depois de tanto esforço? A saída logo ali, e ele já se coloca como derrotado, sem mesmo tentar subir?

Olhou novamente para o buraco no teto e a corda. Era impossível subir; mas devia ser tão lindo lá em cima! Por quê não tentar?

Largou a marreta no chão e segurou a corda com toda sua força. Começou a subir devagar, mas ia, pelo menos.

Pensou em ler o livro pra menina, mas lembrou dos afazeres. Pensando bem, no entanto, era um livro tão pequeno, de leitura fácil, não demoraria nem meia hora pra acabá-lo. Assim, para a alegria da criança, colocou a menina no colo e começou a ler o clássico:

_“Era uma vez um menino maluquinho...”
_Caralho, eu não vou aguentar mais!

Já estava há meia hora agarrado na corda. Seus músculos estavam doloridos demais e sua boca, seca, ao contrário das mãos, que quase estavam escorregando da corda. Vou largar e tentar de novo, pensou. Porém, imaginou seu corpo batendo nos entulhos no chão; mas não havia jeito, acabaria soltando as mãos da corda por falta de força.
Foi quando uma borboleta posou em suas mãos.

_Puxa, tem borboletas lá em cima! Deve ter flores também! Se eu cair daqui, posso não ter outra chance de subir. Eu to quase chegando, já dá pra ver o céu. Vambora!!!

Ao terminar a estória, a sobrinha do escritor estava maravilhada.

_Tio, tio, lê outra estória pra mim?
_Jujuba, agora não dá mais, o tio tem que continuar com o que estava fazendo.
_Tio, o senhor ta chorando?

Uma lágrima tinha caído no livro. Rapidamente, o tio o fechou.

_Nada, é suor, é suor, o tio ta cansado...
_Mas seus olhos estão vermelhos!
_Então! Ficar muito tempo no notebook dá nisso!

Tirou a menina do colo e se mandou para a cozinha. Quando a criança se deu conta da situação, ele já estava na janela da sala bebendo e olhando para os prédios com um olhar de cachorro abandonado. Automaticamente, ela correu até o tio e deu um enorme abraço nele, o assustando. Correu de volta para o quarto e o deixou sozinho.

No quarto, começou a folhear o livro responsável pela melancolia do tio, observando cada desenho. Deitou na cama com ele ainda aberto e exclamou:

_Que menino maluquinho!

Com um esforço sobrenatural, o rapaz conseguiu subir pela corda toda. Ela estava presa num grande suporte de madeira, tipo aqueles usados para enforcar alguém. Apesar disto, a vista do lugar que estava para o horizonte era linda. E se deu conta que estava no alto de uma montanha e, ao fundo, havia uma enorme floresta de ipês de todas as cores. Ao redor, flores de diversos tipos e várias borboletas exóticas. No céu, um lindo arco-íris abraçava o sol. Tudo o que ele pode falar diante de tanta beleza foi:

_Que lindo!

Por um momento, o escritor continuou ali parado, espantado. Foi quando pegou o laptop e começou a digitar, feito um insano.


*********************************

1. "E era montado num foguete destes que ele saía do quarto a voar outra vez pela mesa da sala, pelas grades da varanda, pelas cercas do quintal. E todo mundo ficava alegre de novo, ao ver de volta a alegria da rua!" (Ziraldo. O menino maluquinho. pp. 70. Editora Melhoramentos)

2. Movimento OR318:





3. O fenômeno visto na imagem que ilustra o conto se chama Halo. E a foto foi tirada por TaniaC

4. Bom feriado e lembrem-se: há 187 anos atrás, um português, após se cagar nas margens plácidas do Riacho Ipiranga, por conta de uma disenteria, gritou bem forte para todos ouvirem: "INDEPENDÊNCIA OU MORTEEEEEEEEE!!"

;***



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domingo, 30 de agosto de 2009

[OFF] Não morri...

Só estou ocupado. Demais até. Vocês não fazem ideia do quanto estou atarefado, repleto de textos (gigantes) para ler e resumir. Faculdades malditas!! >.< A todos que estão preocupados, principalmente a Aninha, saibam que agora tenho ajuda logística dos meus padrinhos; não passarei mais a dormir às 2:00 da manhã e ter que acordar às 5 pra chegar na facul e não ter aula. Agora irei dormir na casa deles nas terças e quartas. Talvez com isso, eu fique menos exausto e possa ganhar tempo pra escrever os contos. Não quero chegar ao ponto de abandonar este blog. De jeito nenhum!

Um bjo a todos que agora eu vou começar a ler um texto de 40 páginas oO"
E ainda tenho que resumi-lo. Sim, não estou nada feliz com isso :(


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domingo, 16 de agosto de 2009

Uma carta.

Meu amor,

Não tenho muito que falar. Sei que você está cansada de mim. Eu também estou cansado de mim. Aliás, acho que o mundo inteiro está cansado de mim.

Sei que nunca te dei algum tempo direito pra sair, curtir um cinema, dar uma volta no parque, como nos velhos tempos. Te expliquei da minha nova rotina – poxa, fazer duas faculdades é complicado, gatinha, você sabe – mas você não entendeu.

Pois é, não te dei a atenção que você merece. E perdi o que é mais importante: seu amor.

Sim, eu vi tudo; você e Mariuuzin na esquina da facul, se beijando da mesma maneira do que no nosso primeiro encontro. Não te culpo, eu é que estou errado mesmo.

Não, não estou sendo irônico. Eu entendo, afinal, o sujeito tem todo tempo do mundo pra te curtir. Além disso, o esperto tem tudo a ver contigo: passa um fim de semana ao som de Psy Trance, sobe o morro pra curtir um baile funk, samba que só ao ouvir um pagode do Jeito Moleque e provavelmente te colocará nos ombros pra ver o Show do Jonas Brothers. Não é como esse gordo aqui, que prefere beber um vinhozinho em casa ao som de Noel e ler Baumman.

Não, você não
tem culpa alguma; ela é toda minha. Eu é que deveria ter me moldado a sua forma. Queria ser contigo um só. Queria estar em forma, dizer pra todo mundo “Ah, vou ser promotor pra ganhar R$ 20.000, ter um apartamento na Barra”, não que quero ser sociólogo e entrar pra história. Queria ser malandro, fazer tudo de errado, dizer que faço Direito pra aprender a burlar a lei. Me desculpa, mas eu sou puritano demais pra isso.

Apesar das diferenças, eu te amei como a ninguém. Que tolice minha acreditar que nós nascemos um pro outro. Não, você nasceu pro mundo e eu nasci pelo mundo; mas o mundo não está nem aí pra mim.

Estou cansado de digitar. Estou cansado de tudo. Aprenda uma coisa: otimismo demais faz mal pra alma. Foi bom enquanto durou o nosso love. Mas a vida continua. Ou não.

Olha, se quiser responder o email, responda não “porque me quebraste em mil pedaços”.

Te cuida, porque de mim já não há mais nada pra cuidar.

Estou tão cansado...

*************************************

Esta carta foi inspirada a partir de um meme da Joyce. Nas palavras dela, "A missão é terminar uma relação por carta/email". Tá aí então. Ah, tem que indicar mais 5 pessoas. Bem, tem uns seres que acho que farão um bom trabalho: a Aninha, Betinha, Daniel, Ferrockxia e Juanito, grande amigo meu. Aliás, ele me indicou um site, no mínimo, interessante. Nele você conversa com uma pessoa sorteada, tudo no anonimato - ou não - como se fosse no msn.

Ai
nda tem um selo que recebi da Joyce:



As regras:

• Exibir a imagem do selo "Seu blog é 'ROXIE'(?)!".
• Escrever 5 coisas que são 'ROXIE'(?) (Sobre: música, televisão e cinema, 3 países que sonha conhecer, 3 cores favoritas e 3 hobbies).
• Indicar 10 blogs que você ache 'ROXIE'(?).
• Avisar aos indicados.

Olha, esse troço de 'Roxie'(?) é mto tosco, mas o que vale é a intenção, ou não?

Então lá vai (vou inovar):

5 coisas Roxies(?):

O Amor;
O Cuidado;
A Tristeza;
A Felicidade;
A Inspiração.

São muito mais 'Roxie'(?) do que meros interesses e hobbies.

Indicar 10 blogs 'Roxie' (?):

Os da sidebar (são duca!!) ------->

Não preciso avisá-los, o que vale é a intenção ;)

Um bjo pra galëre =***


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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

[OFF] Kioskerman



De Pablo Holmberg. Uma das tirinhas mais lindas que eu já li.


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terça-feira, 11 de agosto de 2009

[OFF] Pra distrair


De Will Leite, do Will Tirando



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