sexta-feira, 9 de julho de 2010

O novo primeiro post

"Vocês não fazem ideia do quanto estou atarefado, repleto de textos (gigantes) para ler e resumir. Faculdades malditas!!"

Pois bem; passaram-se mais de oito meses deste a última vez que atualizei o blog. Muitas coisas aconteceram na minha vida, que me atrapalharam para manter o blog atualizado. Uma delas foi o fato de, contrariando a vontade de meus pais, trancar o curso de direito da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) para fazer Ciências Sociais na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Sim, o curso em que o formando pode ser professor de sociologia; mas há muitas coisas além disto que um cientista social pode ser. Não que eu esteja desmerecendo a carreira de professor de ensino médio (o que pretendo também ser), mas é que as Ciências sociais também são Antropologia e Ciência Política. Pode-se ser, além de professor, pesquisador de campo, acessor político, trabalhar para empresas na análise de dados, etc.

Você deve estar pensando, "que cara maluco!", "ah, mais um rebeldezinho... ", e/ou "Alôô, comunismo ACABOU!!". Este meu ato não foi feito por rebeldia, nem por loucura, nem por motivos de ideologia. Foi por uma questão de TALENTO. Eu gosto de ver além do que posso, gosto de microscópios e telescópios, duvido sempre do provável, enfim, eu gosto de olhar para além do horizonte.

Pensei por quase um ano se seria viável largar direito pra fazer um curso que não se remunera tão bem quanto. O medo era do barco ser afundado por outro barco ou tempestade, e não haver nem uma canoa  para se salvar. "Bem, vou fazer os dois cursos, por quê não? Se eu não me der bem numa carreira, é só eu mudar de área! Ou posso até trabalhar com as duas!". E assim o navegante começou sua viagem.

Pareceu fácil fazer dois cursos. No começo era simples, já fazia o 2º período de direito e começara o de CS. Entretanto, quando os trabalhos começaram a se avolumar, percebi que só fazia trabalhos de merda e mal me dedicava na área jurídica, enquanto na outra, estava fazendo bons trabalhos e gostando das aulas, mas não podia me dedicar mais devido à "outra". Assim, resolvi trancar três disciplinas no direito para me dedicar no que, obviamente, eu sou melhor. Terminei os períodos passando em tudo, exceto em história do direito, por incongruência de horários de provas e (principalmente) por filha-da-putice de professor.

"E agora, após me livrar de alguns bens supérfluos (dinheiro, por exemplo), será que precisarei deixar de lado também a canoa para adquirir velocidade ideal para cruzar o globo? E quanto às minhas salvaguardas?" Teria que arriscar; mas, sabendo que sou um navegador em potencial, desamarrei a canoa de meu barco. Foi uma decisão muito difícil. Meu pai não acreditou; ficou muito chateado comigo. Até hoje nós temos algumas discussões sobre isto, quando não se tratam de questões ideológicas. Minha mãe também ficara, mas aceitou quando viu que eu poderia desbravar os sete mares e conhecer o mundo inteiro, podendo me virar sozinho, sem problemas.

Assim, quando tudo na UFF e na UNIRIO acabou e o natal estava por vir, peguei minhas duas conduções (ônibus/metrô) e fui até a UNIRIO fazer aquilo que eu deveria ter feito há tempos: trancar minha matrícula. Despedi-me de dois professores, Fernando Quintanna e Luiz Otávio, politólogo e sociólogo, respectivamente. Dois professores muito legais e brilhantes, apesar de eu ainda achar que o primeiro não vai com a minha cara até hoje pela minha maneira ousada de encarar "autoridades". Digo isto porque no começo do 1º período tive uma séria discussão com a decana (manda-chuva) do campus (explicarei melhor sobre este evento num futuro post).

Quando finalmente criei coragem e deixei ao sabor das ondas a canoa, o barco pareceu ter se transformado numa lancha. O vento balançava meus cabelos e assoprava mais forte as velas. A canoa foi ficando  rapidamente pra trás, até desaparecer. Alguns amigos me acompanharam em outros barcos, outros, acabei deixando pra trás, com tristeza. Mas valeu a pena! Conheci novos continentes, novas pessoas, novos trabalhos, uma nova vida.

Acabou que, com todas as viagens, continuei sem tempo pra atualizar o blog. Foi trabalho, texto, livro, as tarefas do diretório acadêmico na área de comunicação e, agora, uma bolsa de extensão em economia solidária  (a prova de que um outro sistema, melhor dizendo, estrutura*, é possível para as sociedades capitalistas) pra continuar a me atrapalhar. Além do mais, estava num marasmo literário. Porém, agora estou de férias e o marasmo fora embora com a  nova primeira publicação do Jornal Viramundo do Diretório Acadêmico Raimundo Soares (DARS), onde publiquei um artigo contra o senso-comum de que nas chuvas torrenciais, a culpa para mortes dos favelados é deles; também modifiquei a crônica "a morena dos olhos verdes". Publicarei os dois textos aqui, além do jornal todo (em PDF).

Então, é isso. Esta é minha desculpa e o meu compromisso de continuar atualizando o blog, mesmo que demore mais de um mês. Espero que aceitem as desculpas e voltem a ler este blog que, um dia, tivera alguns leitores fiéis. Hoje, só resta a Joyce (que eu saiba).
Amanhã postarei a nova versão de "A morena dos olhos verdes". Estejam atentos, pois o viajante está de volta!

*Joyce, publicarei na terça a resposta daquela questão que postei no twitter e que você fora a única a responder. Eu já tenho a resposta, mandei pro professor e tal, mas eu gosto muito de fazer suspense haha!

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Um comentário:

Vanessa disse...

Quem é vivo sempre aparece! Minha irmã começou fazendo Quimica e trocou no segundo ano para Ciencias Sociais. Todo mundo em casa estranhou, quimica o pessoal sabe o que é , já Ciências Sociais parece ser um bicho de sete cabeças. Até hoje ( ela já está formada, é professora na UFJF e doutoranda na UFMG ) ainda tem gente que pergunta: Mas, cientista social faz o que mesmo? Prepare-se. E seja feliz com sua nova escolha.

Abraço e veja se aparece lá no blog.